sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Há algo de muito perturbador na chegada do fim de Agosto

Esse algo é a confirmação de que o Verão, tal como tudo o que sabe bem, não dura sempre.

sábado, 31 de março de 2012

Arte e Sexismo



Borgore faz música. No entanto recuso chamar-lhe músico, e muito menos artista. Não sou daquelas pessoas que vê um quadro de nus e afirma peremptoriamente que “aquilo não é arte”. Pelo contrário, sou mais daquelas pessoas que vê uma fotografia chocante, visualmente (ou eticamente) perturbadora, e lhe dá o benefício da dúvida. A Arte, se é que se pode escrever arte com letra grande, como se fosse algo unânime ou elementar, deve ser relativizada. Uma escultura dadaísta faria sentido na Itália renascentista?

Tal como é insensato pensar a arte como uma coisa intemporal e incontroversa, é igualmente errado admitir que tudo seja arte. O que Franz Marc fez com os seus cavalos vermelhos e azuis foi precisamente uma crítica à sociedade da época, misturada obviamente com alguma moral consensual nos círculos intelectuais do expressionismo alemão. Ainda assim, o que na minha opinião ressalta na verdadeira obra de arte moderna e contemporânea é precisamente a capacidade de contradição. De quê? Fácil. Da moral dominante. Dos preconceitos manifestos e latentes. Do pensamento linear característico do senso-comum. A arte é, pois, quase sempre, uma expressão original de moralidade.

O artista ocupa uma posição privilegiada. Tem a oportunidade de se colocar em questão, face a si, à sua obra e aos seus esquemas de pensamento. O que se vê na indústria musical de hoje é, pelo contrário, uma exploração até ao absurdo dos preconceitos e estereótipos dominantes na sociedade ocidental. O tratamento da mulher como objecto sexual é uma das constantes dos singles produzidos às três pancadas, e mesmo de algumas bandas e movimentos que se apresentam como a “resistência” à comercialização musical.

As letras das músicas mais populares entre os consumidores retractam, muitas vezes, as mulheres como seres de natureza dupla: senhoras durante o dia, devoradoras insaciáveis à noite. Este estereótipo em particular dá continuidade à necessidade estrutural de existirem dois tipos de mulheres, facilmente identificáveis e tratáveis. Por um lado, as puras, doces, brandas, devotadas ao casamento, aos filhos e aos sentimentos: o tipo de mulher com quem se casa, portanto. Por outro lado, aquelas que segundo as palavras de muitos homens, “não se dão ao respeito”, ou porque têm uma vida sexual activa e não o escondem, ou porque aparentam ter pela maneira como se vestem, falam ou lidam com as pessoas no geral. Estas últimas são as putas, que no universo masculino apenas servem para satisfazer os desejos mais viscerais da carne, que segundo a própria Bíblia, “é fraca”, e que no universo feminino são estigmatizadas. A sociedade tal como existe precisa de ambos os tipos de mulheres para funcionar, ou seja, para que os homens tenham ao seu dispor mulheres-objecto-sexual e mulheres-objecto-ideal.



Vê-se como tão facilmente a música reproduz esquemas tradicionais de dominação da mulher pelo homem. Hoje em dia, a questão já não passa tanto por um reconhecimento legal da igualdade da mulher perante o homem; o problema afigura-se maior quando tentamos desconstruir o senso-comum machista, presente em todas as áreas de socialização, e profundamente enraizado no subconsciente colectivo. Há mesmo uma assimilação inconsciente por parte das próprias mulheres da sua inferioridade, embora elas não pensem nela desta forma e até a justifiquem, afirmando-se elas próprias como representantes da minoria respeitável. Muitas vezes, são as mulheres as primeiras a rotularem-se umas às outras com adjectivos que expressam esta natureza extremamente reducionista do mundo: ou se é isto, ou não se é.

Dito isto, é fácil compreender por que razão me parece um insulto à arte chamar Borgore artista ou músico. O que ele faz é um simples papaguear da “cantiga” que lhe foi cantada toda a vida. Nenhum dos seus versos convida à reflexividade ou demonstra qualquer tentativa de autoquestionamento. Para ele, o mundo é o mesmo hoje e sempre, as suas palavras são apenas divertimento, e a política só se faz no parlamento.
Apesar de achar que nem todo o artista é obrigado a comprometer a sua arte com posicionamentos políticos, acho que qualquer um deve saber reconhecer que eles estão inexoravelmente presentes na sua obra. Borgore assume-se, portanto, como um típico macho sexista… versão século XXI.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Uma S.O.P.A. para os pobres

Divulguem. Contra a ACTA. Por uma Internet livre.


domingo, 27 de novembro de 2011

Deve ser do choque

Segundo fontes anónimas, o meu pai disse isto em conversa com o homem que lhe está a fazer as obras na casa (que costumava ser minha):
- Eu sou viúvo, portanto a casa é minha por direito.

Para quem não sabe, os meus pais nunca foram casados. E mesmo que tivessem sido, separaram-se há quase 10 anos.

O meu pai está um bocadinho confuso.

sábado, 5 de novembro de 2011

Dois


- Ninguém me sabe explicar o que é a felicidade – resmungou Tiago, impaciente com o novelo de esparguete à bolonhesa poisado num prato à sua frente. A mãe estava a ficar enervada com a fúria do filho, que tentava apanhar os fios de massa sem fazer nenhum esforço aparente por suavizar o embate do garfo na loiça, provocando um ruído estridente e desafiando todas as cabeças no restaurante a virarem-se na sua direcção. Este efeito desaparecia depois das pessoas perceberem que não passava de uma criança a ser exasperante, e as atenções anteriormente dispensadas ao miúdo voltavam-se para a respectiva mãe, vestida com bom-senso num espaço cheio de fatos elegantes e boas maneiras, cada vez mais embaraçada com a terrível falta de decoro do filho.
- Tiaguinho, já lhe disse que comesse sossegado. Se conseguir comportar-se como deve ser, a mamã vai explicar-lhe tudinho acerca da - como disse?
- Da felicidade, mamã.
Ela olhou para o filho ao seu lado. Não percebia de onde vinha aquele estranho fascínio por coisas tão esquisitas. Seria das bandas desenhadas? Por via das dúvidas, decidiu, assim que chegassem a casa iria pô-lo a dormir no quarto da ama e dirigir-se-ia ao quarto dele. Pegaria em todos os exemplares de revistas e livrinhos tolos que conseguisse encontrar e pô-los-ia em cima da laje do quintal para que fossem levados de manhã pelas criadas, juntamente com o resto do lixo doméstico. A partir dali seguiria estritamente os conselhos do Dr. Martins relativamente às leituras indicadas a um rapaz como Tiago. «Introduza lentamente os clássicos da literatura, portuguesa e estrangeira; comece com pequenos sonetos de Camões e vá aumentando a exigência. Talvez daqui a três meses já lhe possa mostrar o primeiro ensaio filosófico. Tenha sempre presente que é necessária uma cultura da exigência, acima de tudo o mais. Lembre-se disso, e o menino será um génio.». Ela não se tinha esquecido desta conversa.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Saber perdoar.


Aqueles que me fizeram sofrer não são, nem nunca serão, indiferentes para mim, pela simples razão de termos algo em comum que dificilmente compete com gostos musicais semelhantes ou ideologias compatíveis: a certeza de um passado partilhado. Essa certeza prender-me-á para sempre a estas pessoas, pois nunca serei capaz de as esquecer. Isso torna-me incapaz de fingir que elas não existem, o que até pode ser verdade na medida em que não as deixo entrar na minha vida da mesma maneira que deixava (isto é, sem dúvida, sensato), mas é também falso, tendo em conta que elas podem não existir na minha vida, mas sei que estão vivas, e que vivem sem mim, rodeados de outras pessoas… Mas, mais importante que tudo isso, elas já fizeram parte da minha vida, e é o tal passado do qual eu não posso (nem devo) esconder-me, que faz com que a única solução para eu conseguir viver comigo mesma, com os meus erros e com os erros dos outros, seja aprender a perdoar, e ainda mais importante do que seguir em frente é conseguir lidar com aquilo que sinto de maneira a que, para me confortar, não precise de mentir a mim mesma dizendo que certa pessoa me é indiferente quando, na verdade, está longe de o ser. O desprezo pode resultar com quem nunca me desiludiu, mas nunca com pessoas em quem confiei. Desta forma estou a falsear a realidade, a atribuir importâncias falsas a eventos que me marcaram. Para conseguir sentir-me bem com o meu passado, o que tenho de fazer é encarar a realidade bem de frente, e para isso não basta chegar à “brilhante” conclusão de que me magoaram. Saberei que atingi o meu objectivo quando, um dia, me encontrar na mesma sala com o meu pai, a minha avó ou o Henrique, e for capaz de admitir para comigo mesma que me sinto mal, que tenho borboletas no estômago, que quero sair dali, mas que, apesar de tudo isso, também sei que tenho de ser superior e ir ter com eles, cumprimentá-los educadamente, e mostrar-lhes que não têm de derrubar nenhuma barreira para chegarem até mim, pois eu já baixei todos os muros defensivos. Já não tenho nada a esconder, posso dizer-lhes que tenho medo, que sinto vontade de chorar, que gostava que as coisas tivessem sido diferentes. Assim, não terão nada a usar contra mim a não ser as minhas próprias palavras, e ninguém me pode abater com a verdade, pois ela está do meu lado, e quando não estiver, admiti-lo-ei. Se tiver de cair, cairei. Mas o peso de saber que não fiz o suficiente já não estará lá.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Um Bairro Qualquer

Algo se estava a passar. Miguel não abria a porta, mesmo depois de a campainha ter tocado ruidosamente mais de dez vezes seguidas. O dedo de Paula doía de tanto pressinar o interruptor. Tinha chegado há cerca de meia hora ao bairro, chamado o elevador, e como sabia que Miguel tinha saído na noite anterior pensou que pudesse estar de ressaca no quarto ou na casa-de-banho, e, por isso, esperou. Ia tocando pacientemente no botão da campainha, esperando cerca de cinco minutos entre cada nova tentativa. Após cinco tentativas falhadas, e depois de ter a prova inelutável de que a casa não estava vazia, pois ouviu um baque surdo lá dentro, na madeira do soalho, muito perto da mesa de pinho escura que ela sabia estar ao lado da porta, Paula começou a insistir mais, aumentando a frequência dos toques para dois ou três a cada cinco minutos, até que finalmente ouviu um gemido carrancudo do outro lado.
- Pára, porra. Já vou.

sábado, 23 de julho de 2011

O legado da História

A História da Humanidade é um ciclo de repetições, mais ou menos disfarçadas e alteradas, com condicionantes específicas da conjuntura da época e das mentalidades dominantes, mas sempre, inexoravelmente, presa ao passado. Será o Homem ao mesmo tempo tão previsível e cego, que por mais décadas que passem, em que as mesmas causas geram os mesmo efeitos, os mesmo erros geram as mesmas consequências desastrosas (ou ainda piores), continuaremos a ignorar o legado que a História nos deixa?

Ontem a Noruega foi palco da maior convulsão social desde a 2ª Guerra Mundial. Um país conhecido pelo seu controle da violência fundamentalista, mesmo até pela ausência dela, sofreu ontem um ataque bombista no centro de Oslo que vitimou 7 pessoas, e feriu outras tantas. Mais tarde, um tiroteio ocorreu na ilha de Utoeya em que 91 jovens militantes do Partido Trabalhista foram mortos, sem contar com os restantes feridos e os que conseguiram escapar, atravessando o fiorde a nado, alguns morrendo na tentativa de fuga, já que o atirador continuava a disparar para a água. Fui para a sala de estar e assisti ao chocante retrato da barbárie, na RTP1. Porém, os meus cabelos ficaram em pé quando ouvi o repórter dizer que o suspeito era o norueguês de 32 anos Anders Behring, apanhado no local do tiroteio com uma faca, assumidamente nacionalista de extrema-direita, anti-islamista e fundamentalista cristão. "Não contávamos com uma ameaça da extrema-direita, mas sim do extremismo islamista", afirmam os serviços de segurança interna.

A Al-Qaeda é o bode expiatório do Ocidente. À falta de melhores hipóteses, acusa-se o Islão. É, de facto, uma versão dos factos que, apesar de anti-democrática e revelante de uma alarmante falta de ética da comunidade jornalística, é ao mesmo tempo extremamente bem aceite pelo público. Torna-se um lugar comum culpar os muçulmanos por todos os males da Terra, tal como na Idade Média se fazia com os judeus, e na Guerra Fria com os comunistas. Dá sempre jeito focar a opinião pública num grupo particularmente odiado e temido para ofuscar as questões verdadeiramente importantes, mas o ser humano nunca aprende com os erros que cometeu, como raça ou nação, no passado, e continua sempre a cair nas mesmas espirais de totalitarismo, opressão e violência.

Atravessamos uma crise económica, social, e em breve política. O Estado Social keynesiano tem os dias contados, e mais cedo ou mais tarde, o modelo americano impor-se-á. No entanto, nunca a economia mundial foi tão afectada por tantas crises consecutivas como aquando da instituição de estados neo-liberais, que promovem o capitalismo selvagem e aniquilam os direitos sociais. É nestes contextos de crise económica, de caos social e descrença do poder político, que surgem convulsões sociais decididas a reinstaurar a ordem, a riqueza e o prestígio. São as opções de extrema-direita. Aquelas que defendem um Estado forte, isolado, nacionalista, agressivo perante os valores democráticos, aniquilador da vontade humana. Anders Behring representa o princípio do fim, a primeira explosão daquilo que será uma violenta revolução.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Não sei como quero ser quando for grande.

Pergunto-me o que estará ela a pensar agora, enquanto lava a loiça furiosamente. Suponho que se esteja a pôr no papel de eterna vítima, como sempre. Até consigo imaginar o monólogo interior: "Toda a gente me odeia, todos me fazem sofrer, ninguém me ouve, ninguém me ajuda ...". E eu pergunto-te, avó, mas como? Como te poderia eu ajudar se tu não queres ser ajudada? Se mesmo sabendo que as tuas costas não aguentam, continuas a carregar com pesos e a aspirar o chão? Se te pões contantemente no papel de mártir, fazendo sacrifícios tais pelos outros que eles não te pedem, porque não querem que tu os faças por eles? Se és tu própria que te fazes sofrer, pois é uma maneira de sentires que és melhor do que as outras pessoas, pois sacrificas-te por elas de uma forma tão ridícula, exagerada e subserviente, que depois elas fazem de ti o que querem e dão-te punhaladas nas costas?
Depois das discussões és rancorosa. Continuas a resmungar e a gritar e a falar mal com toda a gente. A culpa é sempre de todos e nunca tua, e sempre particularmente de alguém, O Escolhido da tua raiva. Hoje, a escolhida fui eu...
Eu percebo que estejas exausta das arrumações. Quem não estaria? Mas se tivesses calma poupavas a ti própria e aos outros um grande frete. Às vezes tornas-te mesmo má, parece que fazes pagar aos outros aquilo que te acontece depois dos esforços sobrehumanos que fazes sem ninguém to pedir. Parece que carregas uma cruz às costas que é o teu calvário, e que todas as outras pessoas no mundo são os "romanos" que ta puseram nos ombros. Isso é ridículo!!! Estás tão preocupada com a tua miséria fatídica, a tua infelicidade crónica, que nem consegues valorizar os actos e os gestos das pessoas que te amam. Tomas tudo na defensiva. E eu estou farta. Farta, porque simplesmente não sou capaz de lidar com essa tua personalidade distorcida. Desfiguras tudo, distorces tudo, fazes-me sentir má por erros inocentes que cometo sem intenção.

Não sei como quero ser quando for grande, mas com certeza não quero ser como tu.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Já não há incêndios em Portugal

As eleições de 5 de Junho proporcionaram algo de intrinsecamente extraordinário, e inimaginável ao nosso país. Algo que nunca, nem nos nossos sonhos mais audaciosos, nos passou pela cabeça. Apercebi-me disso só hoje, tal como acontece com todos os acontecimentos dignos de se escrever sobre eles num blog, ao ler um artigo online da Visão Verde, que dizia: "Quase 4 mil fogos desde maio". Pensei, maio? Maio de 2011?
Perplexa, pois ainda não tinha ouvido falar de incêndios ocorridos neste ano civil, ao contrário dos anos anteriores em que a comunicação social fazia questão de propagandar, num autêntico grito de pânico, o mais pequeno fogo que ateasse em terras lusas, perguntei à minha avó se tinha ouvido falar de algum fogo recente. Ela disse que não. Quando lhe mostrei o número aterrador, ela abriu muito a boca de espanto e disse: "Valha-nos Deus".

Mas eu digo: Valha-nos o Passos Coelho. Ou deveria antes dizer "Valha-nos a elite partidária portuguesa"? Ou ainda "Valha-nos a palhaçada demagógica que foi a pré-campanha desde o ano passado até às eleições"? Na febre das declarações insípidas e vazias de conteúdo, dos arruaceiros partidários, das afirmações sem nexo, das acusações e dos linchamentos públicos, que os órgãos de comunicação social gostaram tanto de fomentar e dar cobertura mediática, esqueceram-se problemas ambientais, sociais e mesmo económicos que são crónicos em Portugal. Tudo isto se pauta por dois aspectos: por um lado, a insensatez e a inconsciência dos próprios dirigentes que se preocupam mais em puxar a brasa à sua sardinha e a responder a comentários sem interesse nenhum para o bem-estar social, do que a manter aceso o debate teórico sobre os tais problemas crónicos que o nosso país enfrenta, nomeadamente desde a entrada na CEE em 1986, tais como o défice público, as elevadas taxas de juro, o fraco investimento na investigação, a má estruturação da propriedade agrícola... e, como é óbvio, os incêncios, que as fracas medidas legislativas não conseguem conter. Sempre que se traz um destes assuntos à baila, é como se se estivesse a tentar convencer o eleitorado e a ganhar pontos para as eleições seguintes. A política é um simples jogo de poder, só que em Portugal os jogadores não sabem fazer a poker-face como deve ser... o que me faz sentir, pessoalmente, que estão a gozar com a nossa inteligência mesmo à frente dos nossos narizes, e ainda assim damos-lhes os nossos votos uma e outra vez.

Mas a comunicação social não é menos responsável pelo desastre da "amnésia generalizada" no que respeita aos fogos. Parece-me que cada vez mais é adoptado um modelo noticioso pró-americano, típico de agências como a Fox News, a CNN ou mesmo a MSNBC, em que o lema é basicamente "Dividir para conquistar", baseado no sensacionalismo e no espectáculo, e principalmente numa autêntica comercialização do conteúdo jornalístico, o que, se pensarmos bem, é até certo ponto inevitável, mas que acaba por transformar todos os acontecimentos em puros actos de cena, em que o melhor actor ganha os aplausos da plateia e mais um sucesso mediático, para ser incluído no seu currículo. Neste contexto, pouco importa a quantidade de fogos que há no país. Um acontecimento só se torna notícia se os políticos falarem nele. Como nenhum fala dos fogos, simplesmente não se fala deles. Mesmo que, desde Maio, tenham havido quase 4 mil.

Nunca a frase "Tudo é política" teve um significado tão obscuro e tão irónico, como hoje.