sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O Egipto é livre?

Mubarak caiu. O regime morreu? Agora está nas mãos de quem o povo egípcio escolher nas primeiras eleições honestas e transparentes (esperamos) desde há mais de 30 anos. Mas até lá, há ainda um longo caminho a percorrer. Uma nação não se torna democrática de um momento para o outro, ou melhor, uma democracia não se constrói assim, sem mais nem menos, especialmente quando as instituições sociais, culturais e políticas desse país não têm qualquer tradição demoliberal. É nestas alturas que eu entendo a necessidade da ajuda e da cooperação internacional... se ao menos essas "ajudas" fossem desinteressadas e verdadeiramente cooperativas, não os europeus e os americanos acharem que têm o direito de impôr a nações distintas os seus ideais. Também não ao ponto de sufocar as tentativas de diálogo interno entre Governo Provisório e população, de tal maneira enredados vão estar os líderes do movimento em conferências, debates e declarações.

Tenho muitas dúvidas quanto à tomada de posse pelo exército... ter sido o próprio Mubarak a delegar o poder político nas Forças Armadas vai obviamente perpetuar muitas ou mesmo todas as injustiças contra as quais o Egipto anda a lutar desde Janeiro. O Exército já expressou o seu apoio às reformas pretendidas pelo (agora) ex-presidente, e houve mesmo um coronel que leu um discurso pró-Mubarak em frente a uma multidão de manifestantes anti-regime enraivecidos: "Vocês desiludiram-nos, depositámos toda a nossa esperança em vocês".

Algo novo aguarda o Egipto. Eu não possuo poderes visionários, mas penso que os dias de silêncio e de opressão acabaram. Mesmo que uma ditadura militar se instale, os egípcios não se vão sentar como condenados no banco dos réus e ver a sua luta morrer. Já ninguém duvida, ou pelo menos não devia, do poder do Todo e nas mudanças positivas que a união pode operar. Os militares que se acautelem... e que não estiquem muito a paciência dos que verdadeiramente conquistaram a liberdade.

As ruas ainda estão cheias.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Rádio Okapi - A Luta pela Democracia no Congo

A República Democrática do Congo, anterior Zaire, é o terceiro maior país de África, o mais populoso país francófono, e o décimo segundo mais populoso do Mundo. Falamos de cerca de 70 milhões de habitantes, salvo erro, todos eles filhos e filhas de um país dividido por guerras étnicas, corrupção, fome, HIV e carências de todo o tipo. A Morte é visita diária nas ruas e nos campos, onde carros-patrulha do Exército vagueiam à espera de uma oportunidade para extorquir dinheiro aos locais. "Esperamos que as Forças Armadas nos protejam, não que sejam os nossos carrascos", afirma o povo. A verdade é que o sistema já de si corrupto proporciona estas situações. O Congo está na lista negra da ONU no que toca ao desrespeito pelos Direitos Humanos, de tal forma que a palavra "Democrática" no nome do país dá uma sensação de muito grande contradição.

O ano passado, os congolenses puderam pela primeira vez em 40 anos votar livremente. Até que ponto essas eleições foram livres, não o sei, mas a verdade é que as ilegalidades e os "assédios", nome dado à extorção de dinheiro por parte dos soldados com a desculpa de serem taxas de passagem, continuam a acontecer todos os dias, em todos os rios, mercados e por vezes até em estradas secundárias! Os tanques verdes e os homens fardados dentro deles inspiram terror, frustração e suspeição por onde quer que passem.

O papel da ONU na regulação das actividades militares e de segurança pública tem sido até agora claramente insuficiente. Os poucos anos de democracia a que o Congo teve direito deixaram, porém, as suas marcas no povo, que não se cala perante as injustiças. "Já ninguém tem medo de falar e de dar a cara. Aqui, as pessoas sentem-se livres e dizem tudo o que se passa de errado", afirma um dos jornalistas da Rádio Okapi. Esta estação bate os recordes de audiência no país, e as pessoas que a ouvem acreditam que é uma forma de educação. À falta da escola, ouve-se a Okapi. É  a única rádio do país que fala abertamente de todos os casos de corrupção, violência e opressão. Tem oito ramificações que lhe permitem chegar até às localidades mais remotas, e a informação é incrivelmente actualizada e precisa. "Já me tentaram comprar, já me ameaçaram de morte e tive de pôr gradeamento em toda a minha casa, mas amo aquilo que faço e sinto que o faço não só por mim, mas por todos os congolenses que sofrem com as injustiças perpetuadas pelo Governo", diz.



NOTA: informações geo-políticas retiradas de www.wikipedia.pt.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Porquê votar Manuel Alegre?

Penso que numa época de crise económica, financeira, política e brevemente (não tenhamos dúvidas) social, o que qualquer português devia desejar acima de tudo era mudança. Mudança para melhor. E mudar um país inteiro mergulhado em dívidas e lutas políticas requer muito, mas mesmo muito esforço.

A possibilidade de o FMI entrar em Portugal veio piorar as coisas. Cá para mim candidatos à Presidência que exigem que o adversário suspenda a campanha até que se consiga parar o organismo financeiro de penetrar a fronteira nacional parece-me sem sombra de dúvida uma manobra de diversão. Apesar disso, eu votaria, sem pestanejar, em Manuel Alegre. Infelizmente ainda não tenho 18 anos.

É uma questão de parar e pensar logicamente: Cavaco é, na opinião de demasiadas almas perdidas, uma das razões para o nosso país estar como está hoje em dia. E todos sabemos que, por muitos Defensores-Moura e Francisquinhos que apareçam com as melhores intenções (não haja dúvida...), a verdadeira corrida é inexoravelmente entre PS e PSD. O que candidatos como Francisco Lopes fazem é apenas dividir ainda mais uma esquerda já de si enfraquecida e partida em bocados. A única saída, infelizmente, é votar Alegre.

Os que votarem Cavaco votam num demagogo. Os que votarem Lopes votam num fantoche. Os que votarem Defensor-Moura ou Nobre... enfim.

Votar Alegre é dar um passo em frente. Votar Cavaco é dar dois passos para trás.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Inútil Tejo das Três da Tarde

Estou a andar de patins há 1 hora. Cansei-me, sinto uma dormência nos pés, nas pernas, que me sobe pelo corpo todo até à cabeça. É mais do que um sonho, a sensação de ser tão leve que o vento me pode levantar no ar e fazer voar sobre o rio.

Breve descrição do Tejo:
Sujo, imundo dos dejectos dos seus habitantes. Já não é a 1ª vez, e não será a última.
O branco do cais contrasta profundamente com a água castanha do rio. Por vezes penso como pode este rio ser poético. Depois percebo. Excepto a parte mais próxima das águas o muro é branco e duro. Algumas atracas ainda têm as amarras centenárias dos barcos que outrora lá atracaram.
Várias tonalidades. É uma pintura existencialista.
turbulência, ligeira, mas há. Não percebo porque é que as gaivotas continuam sempre no mesmo sítio, não estão a fazer nada. São animais-bibelot, ou autómatos animados que reagem apenas ao som de outra gaivota ou ao rumejar de um peixe no fundo do mar. De vez em quando grasnam.

A luz é amarga e amarela. O sol atrás de mim dá tons estranhos à maré. Ela move-se debaixo da maré, uma ninfa, sufocada pela saudade da pureza, num grito surdo pelo Vento do sul.

Um cacilheiro regressa da outra banda. Vai atracar no Cais do Sodré, a uns 200 metros de mim. Queria que fosse uma tarde de verão.

p.s. - sou livre.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Viajar... mas só porque sim

Não é um desejo frívolo de alguém que acha que é a fugir que se resolvem os problemas. Não. É uma necessidade física, algo de quente, urgente, que corre nas veias e não avisa do perigo que seria se todos os dias, a vida nos pusesse amarras de ferro inquebráveis, que nos impedissem. Impedissem de pensar para além da "caixinha mágica", como diria a minha avó ao referir-se à televisão. Que nos impedissem de achar que já não é bom viver a mesma vida de sempre, ou de achar que os nossos sonhos começam a bater às portas da consciência, desejosos que alguém lhas abra e lhes dê um guia de percurso (pois não serão apenas esses, os sonhos concretizáveis, aqueles que vale a pena sonhar?).

Comecei hoje a desfrutar de uma das minhas prendas de natal: O Mundo é Fácil - Aprenda a Viajar com Gonçalo Cadilhe. Desde que acordei, eram umas 11 horas, que ainda não consegui largar o livro. Lá fiz o sacrifício de sair da cama, lavar os dentes e vestir-me para o almoço de Natal, mas de resto todas as fibras do meu corpo me puxam na direcção do livro. E não é feitiço...


Sendo sincera, já tinha uma certa veia viajante, mas nunca me deu para fazer planos a sério: viagens à Argentina, ao México, ao Peru, à Índia... eram tudo sonhos, fantasias mal-concebidas. Nunca as levei muito a sério. Nem nunca pensei que pudesse, no espaço de uns meses, fazer-me à estrada (leia-se aos carris) e descobrir a Europa próxima de mim. Claro que para alguém que vive em Portugal, aquilo que considero "próximo de mim" é um espaço relativamente limitado, mas mesmo assim já é um começo.

Quem ler este post tem de ir urgentemente à livraria mais próxima comprar o livro. Estou a falar a sério. Se ainda não eras um aficcionado por viagens e escapadinhas ao estrangeiro, então garanto-te que com esta obra vais tornar-te um autêntico vagabundo dos trilhos. Isto porque não estamos a falar de um livro indicado para turistas, mas para viajantes. Quando o leres percebes imediatamente a diferença.

Não vais encontrar lá indicações dos melhores hotéis, das melhores praias e restaurantes. Vais encontrar:
- dicas de sobrevivência em locais onde o hospital mais próximo fica a 20 quilómetros numa zona sem transportes
- como poupar dinheiro sem prescindir de nenhum destino escolhido
- questões estranhíssimas, tu sabes, aquelas que nunca niguém quer admitir que tem mas que acabam por ser decisivas na maneira como a tua viagem se desenrola
- testemunhos de viajantes experientes e os seus conselhos para o pessoal jovem e com pouco dinheiro.

Além disso, é um livro para ficar em casa e nunca para levares contigo na viagem. O autor proíbe-te, e nesse caso é melhor dar ouvidos.

Na minha opinião, o mais importante que o livro nos ensina (em princípio), é que sonhar não deve ser apenas construir castelos no ar. Os nossos sonhos, desejos, aspirações, principalmente os relacionados com viagens ou empreendimentos estão ao nosso alcance apenas se lutarmos por eles, formos preserverantes e não desistirmos perante um "não" do Destino. Mesmo para quem acredita, nestas situações o melhor mesmo é deixar o Karma na gaveta e aceitar (temporariamente, claro, apenas como um exercício mental) que o nosso destino são as nossas escolhas.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Devo querer chegar a algum lado

Os ciganos são discriminados. Toda a gente sabe. Toda a gente aceita.

Os pretos são discriminados. Toda a gente sabe. Há quem aceite.

Os portugueses... discriminam. Toda a gente sabe. Toda a gente diz que não.

Onde quero chegar? A lado nenhum. Os media distorcem tudo, a imprensa, a televisão, fazem questão de mencionar nos cabeçalhos dos jornais e nos rodapés das notícias a etnia dos criminosos... como se isso fosse relevante em todos os casos! Como se um cigano que rouba isoladamente numa loja fosse indício de que todos os ciganos roubam nas lojas. Como se, por um preto andar armado numa escola, todos os pretos andam armados nas escolas. Como se lá porque um português foge aos impostos... não significa que todos fujam! Mas as pessoas não se importam. Não. Até é mais prático, assim desconfia-se logo de TODOS os ciganos, de TODOS os pretos... e da maior parte dos portugueses, porque afinal de contas todos nós sabemos que somos má raça. Só que há quem não admita. Mas todos sabem. Porém não o dizem com medo que os chineses lhes vão lá a casa roubar (oh não, espera isso são os ciganos).

Não há ciganos bons e ciganos maus. Há ciganos rígidos e ciganos liberais. Há ciganos violentos e ciganos pacíficos.

Não há pretos bons e pretos maus. Há pretos perigosos, tal como há portugueses perigosos que vivem em bairros sociais em ambientes degradados, num contexto privado de oportunidades para fazerem melhor, e pretos simpáticos.

Não há portugueses bons e portugueses maus. Há portugueses... bem, uns estúpidos e outros menos estúpidos.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Window pain

Seguidamente, Vera abriu lentamente a porta, aquela que dava para a mente em branco do cão que caiu da janela aberta. “Window Pain”, disse ela. O cão não respondeu, observou-a com uns olhos brancos sem fim nem principio, ela viu um precipício lá dentro. Fugiu.

domingo, 31 de outubro de 2010

Inventa-se a verdade a todo o custo...

O jornalismo é importantíssimo. Não só porque representa, como nenhum outro meio de comunicação, o direito de todos os cidadãos à informação num país democrático, mas também porque, consequentemente, é através dele que vemos o Mundo. Basta pensares como seria os dias sem o jornal das 8, o Diário de Notícias, a Visão, o gratuito Metro... aqueles jornais e revistas nos quais muitas vezes pegamos e nem sabemos muito bem porquê, só para não estarmos de mãos a abanar ou para tornar uma viagem de transportes públicos menos monótona, à falta do I-pod ou do telemóvel; a verdade é que damos por nós a consumir informação, tornando-nos parte integrante do planeta no qual vivemos, pelo simples facto de ler uma coluna ou olhar para um cartaz publicitário...

No entanto, a maneira como certas plataformas de informação (cite-se a TVI, entre outras) distorcem e polarizam a informação para um determinado grupo de pessoas, até já não ser possível distinguir onde começa e onde acaba a informação decente, é revoltante. Algumas notícias nem parecem notícias: de tão distorcidas que foram parecem-se mais com opiniões saloias que qualquer pessoa podia dar. Isto faz-me pensar em muita coisa, principalmente na questão da liberdade de expressão. Ela tem de existir, mas tem de haver um critério. O que se está a dar às pessoas não pode ser falsa informação, ou informação distorcida da maneira que bem apetece aos apresentadores e aos jornalistas. Quando eu vejo o telejornal não estou à procura de saber a opinião do Pedro Pinto ou da Manuelinha (salvo seja), pelo contrário espero que me tratem como uma pessoa com opiniões próprias que sabe fazer, caso queira, a análise do que fulano tal disse.

Para mim, o cúmulo é a TVI ter um comentador assumidamente do PSD que até já foi presidente do partido! Não só como pessoa de esquerda, mas como espectadora de canais de informação, dá-me náuseas a propaganda feita ao Partido Social Democrata aos olhos de quem queira ver, por uma estação televisiva que tinha por obrigação entregar material de qualidade aos portugueses. Não tenho pena nenhuma da Manuela Moura Guedes, eu que nem vou muito à bola com o Sócrates, mas há que admitir que o jornal da noite de 6ª-feira era uma vergonha. "Uma caça ao homem". Infelizmente, não se cortou o mal pela raiz e hão-de vir mais como ela fazer o papel de velhos do Restelo... triste sorte a minha ter de andar por cá para ver isto (sigh).

Até lá, gostava de poder oferecer ouro e prata a quem deixasse de ver o Jornal Nacional. Fica a dica.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Breves momentos

Hoje foi frustrante. Podias ter-me avisado, queria tanto estar contigo um bocado, abraçar-te e sentir a tua respiração na minha pele, o teu abraço sufocante à minha volta, os teus beijos carinhosos e ardentes nos meus ombros e pescoço. Espero sempre pela hora do dia em que vou poder ouvir a tua voz querida e ver o teu sorriso lindo que me faz sorrir de volta... a altura em que posso voltar a olhar bem fundo nos teus olhos, daquela cor que toda a gente tem, mas que mesmo assim consegues tornar únicos, com esse teu "je ne sais quois", esse teu jeito especial que me arrepia o corpo e me aquece o coração. A altura em que me beijas de volta e sinto o calor, a tua língua a enrolar-se na minha, e eu suspiro e deixo-me levar. Deliro quando passo a mão no teu cabelo despenteado, preto como carvão, delicioso, lindo.
O melhor começa quando nos afastamos, após o primeiro beijo e olhamos um para o outro a sorrir, sem jeito e sem saber o que fazer a seguir... mas tu sabes. E agarras a minha mão, num entrelaçar suave de dedos, e eu acaricio a tua pele macia das costas das mãos, e a pele menos macia, mas tão boa, das palmas, e fecho os olhos por breves momentos que parecem passar a voar, mas que talvez sejam mais uma partida do tempo. Na vida tudo o que é bom e nos delicia parece passar a correr, ou a voar como dizem. Para mim não. Para mim o tempo é apenas mais um enigma da vida, que só encurta e engrandece segundo a nossa percepção distorcida da vida.
Era mais fácil e menos doloroso se as horas não dependessem do uso, bom ou mau, que lhes damos. Mas não é assim. Nem o tempo escapa à corrupção humana. E contigo as horas parecem segundos.